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Precisamos falar sobre o Puerpério

O puerpério é o período do pós-parto em que há intensas modificações físicas e emocionais. É estimado que ele dure de 45 a 60 dias, porém na prática existem mulheres cujo puerpério é bem mais longo.

Do ponto de vista físico, é quando ocorre a volta gradual do corpo ao estado pré-gravidez. O útero que ao final da gravidez costuma medir 32cm e pesar 1,5kgs aos poucos retorna ao seu tamanho inicial aproximado de 7cm e 60g. A ocitocina liberada pela amamentação auxilia nas contrações responsáveis pelo retorno do útero ao seu tamanho normal, por isso é comum sentir cólicas ao amamentar nos primeiros dias. Os órgãos que durante a gravidez foram sendo comprimidos também voltam aos seus lugares de origem.

Independente da via de parto, normal ou cesárea, a mulher apresentará um sangramento vaginal chamado de lóquio, que é similar ao da menstruação porém mais intenso e duradouro, costumando durar em torno de 40 dias e ser mais intenso no início do período.       

É durante essa fase também que ocorre a apojadura, que é a chamada descida do leite materno, e que as mamas ficam bem duras. Pode ser uma fase bem desconfortável e desafiadora para a mulher.

Todas essas alterações físicas são acompanhadas por uma intensa mudança emocional. É normal a recém-mãe vivenciar ao longo do dia explosões de sentimentos como euforia pela chegada do filho, tristezas súbitas e sem razão aparente, episódios frequentes de choro, preocupação com os cuidados do bebê, medo de não conseguir dar conta.  De um dia para o outro passamos a ser totalmente responsáveis por um ser minúsculo que é completamente dependente da gente e isso é assustador! Sem contar a privação de sono que faz com que todas essas questões passem a ter uma proporção ainda maior.

Segundo o psicólogo e terapeuta Alexandre Coimbra Amaral:

“Para a mulher, este movimento é um mergulho em si mesma, momento em que ela possivelmente entra em contato com sua existência e seu lugar no mundo, reflete sobre sua caminhada, questiona algumas decisões e, muitas vezes, se abre para novas escolhas. Sim! É um movimento que exige muito e pode, inclusive, trazer sofrimentos consideráveis e o adoecimento psíquico, dado que há novas compreensões a serem feitas. Afinal, esta mulher agora ocupa outro lugar, o lugar de mãe.”

Nosso corpo dói e nossa mente dói. Contar com uma rede de apoio, nem que seja apenas do(a) companheiro(a), é essencial para conseguir atravessar de forma mais leve esse período tão difícil mas que ao mesmo tempo tem o potencial de ser tão maravilhoso.

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