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Relato de experiência: UTI neonatal

O ano de 2020 definitivamente me marcou muito. Foi um ano intenso marcado pelo isolamento social do coronavírus, por perdas pessoais, pelo nascimento da minha filha e pela experiência de ter passado 1 semana com ela em uma UTI neonatal.

Com 23 dias de vida ela apresentou uma febre de 39,5 graus e por orientação da pediatra na mesma hora a levamos ao hospital. Lá ela precisou fazer o swab nasal para covid-19 (que deu negativo), punção na medula para descartar meningite (que foi descartada), exame de sangue e de urina. O diagnóstico que ela teve foi de sepse neonatal tardia associada a uma infecção urinária. Por conta de ser recém-nascida ela precisou internar em uma UTI neonatal para ser acompanhada de perto.

A recuperação dela foi ótima. A partir da primeira dose de antibiótico ela já não teve mais febre, mas nunca na minha vida vou esquecer de tudo que vivemos lá. O remédio tinha que ser administrado por via intravenosa então ela precisava ficar com um acesso. Só que para conseguir esse acesso eu perdi as contas de quantas vezes ela foi furada. Só foram conseguir no pezinho dela. Era ela chorando absurdamente de um lado e eu do outro. A sensação de impotência de ver minha filha aos berros desesperada e eu não poder fazer nada até hoje me dói demais. Com 4 dias o acesso foi perdido e novamente ela precisou ser furada diversas vezes até que literalmente desistiram e ela começou com o antibiótico via oral. Por conta de tantos furos ela ficou toda roxinha.

Vi muitas crianças entubadas, sedadas, algumas se recuperando de cirurgias, uma inclusive precisar ser reanimada. Todos os dias rezava pela minha filha e por elas. Com 1 semana tivemos alta enquanto várias outras crianças que estavam lá não tinham a menor perspectiva de voltarem para casa. Jamais vou me esquecer dos seus rostinhos e dos rostos das mães que estavam sempre ao lado delas. Até hoje me pego pensando como elas devem estar.

Passei a dar muito mais valor a todos os meus momentos com meus filhos depois de tudo que vivi lá. Sempre que me vejo reclamando de alguma situação ou perdendo a paciência com eles, me lembro daquelas crianças e de suas mães. Eu me recomponho e por elas eu honro o presente divino que é estar em casa com a minha família completa e bem.

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