Sem categoria

Álcool e amamentação

Encerrando o agosto dourado, é importante falar sobre o consumo de álcool na amamentação. Há muitos mitos e pouca informação disseminada sobre o assunto.

Esses dias uma amiga minha postou uma foto amamentando e bebendo uma cerveja e precisou desativar os comentários por conta de tantas ameaças que recebeu. Entretanto, diversos profissionais renomados, como o médico Carlos Gonzalez que é uma das maiores referências quando o tema é amamentação, defendem o uso consciente e pontual de álcool pela lactente. O que seria então considerado como uma dose segura? Segundo o texto publicado pela nutricionista Joana Adnet:

“Baixo consumo é consumo pontual de uma quantidade que não te deixe com sintomas marcantes de alcoolemia: uma taça de vinho ou uns 2 chopes.

Para ficar mais fácil de entender, uso como referência o valor estipulado pela legislação brasileira para definir bebida alcoólica que é 0,5% de álcool.

Temos sempre que lembrar que o álcool passa do sangue para o leite materno na razão 1 pra 1 (a quantidade que tem no sangue é a mesma quantidade que tem no leite).

Para se ter uma ideia, uma pessoa que consumiu pouco álcool (altinha, como chamamos vulgarmente) tem em torno de 0,01 a 0,05 porcento de álcool no sangue, e consequentemente no leite.

O leite de alguém com essa margem de concentração alcoólica poderia ser classificado, com folga, como uma bebida isenta de álcool.

Isso significa que 100ml desse leite tem entre 0,01 e 0,05ml de álcool. É ínfimo.

O consumo dessa quantidade pontualmente não oferece qualquer perigo de intoxicar ou alcoolizar o bebê.

O que não é interessante é beber muito frequentemente, quantidades maiores, não só por aumentar a exposição do bebê mas por ter potencial de prejudicar a amamentação em si, uma vez que o álcool inibe a ocitocina, um hormônio bem importante para a ejeção do leite.

Apresentando os dados dessa forma fica fácil de identificar o tanto de estigma e preconceito que existem em torno dessa questão.

O meu objetivo ao difundir essas informações é tirar das costas das mães o peso de tantas renúncias equivocadas e mostrar que é possível ser mãe, amamentar e usufruir da vida social adulta.”

Você também pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *