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O problema dos rótulos

Eu cresci ouvindo que era impulsiva e bruta. A maior parte da minha vida agi baseado nessas características que me foram atribuídas. Até porque muitas vezes era muito fácil culpar minhas reações e aliviar minha culpa falando “Eu agi dessa forma porque sou assim. Paciência.” Desconstruir essa minha imagem e perceber que não sou necessariamente assim me demandou, e ainda demanda, uma profunda busca por auto-conhecimento. Nós não somos apenas uma característica, um rótulo. Pensar que somos uma coisa só limita o nosso potencial como ser humano.

Em seu livro “Educação não Violenta“, Elisama Santos questiona “Se somos todos multifacetados e complexos, por que insistimos em reduzir nossos filhos a apenas uma característica, justamente a que menos gostaríamos que se manifestasse?”. Ela também aponta que muitas vezes confundimos fatos com opiniões. Por exemplo, quando nosso filho chora por um determinado motivo é um fato, mas quando os chamamos de chorão estamos emitindo uma opinião. E esse tipo de opinião quando externalizada constantemente passa a se tornar uma verdade absoluta para as crianças, principalmente porque elas tendem a crer no que seus pais falam como fatos inquestionáveis. Essa criança, portanto, vai crescer com a crença quase imutável de que é chorona simplesmente porque foi rotulada dessa forma durante a sua infância.

E não são só os rótulos negativos que são perigosos. Quando uma criança cresce ouvindo que é boazinha, que não reclama e que não causa problema nenhum, ela tende a ser uma pessoa submissa em seus relacionamentos, desde os amorosos até os profissionais. Afinal, sua característica principal é ser boazinha e assim ela vai ignorando seus sentimentos e necessidades.

Quantos de nós não recebemos algum tipo de rótulo quando criança, seja positivo ou negativo, e somos ainda influenciados por ele em nossas vidas adultas?

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