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Relato de parto

Assim que engravidei do Matheus, procurei montar uma equipe humanizada que respeitasse minhas escolhas no momento do parto. Foi quando decidi contratar a obstetra Ana Fialho, a pediatra Fernanda Mosqueira e o coletivo Fardo de Ternura. Ter a possibilidade de escolher toda e equipe que assistiria ao meu parto foi tão essencial que decidi não mudar absolutamente nada agora na minha segunda gravidez.

Ao longo de toda a gestação fui me preparando para ter um parto normal, porém não imaginava que por volta das 34 semanas o Matheus iria resolver ficar sentado. Nem me passava pela cabeça ter um bebê pélvico, afinal apenas 3% dos bebês ficam nessa posição. Foi minha primeira grande lição da maternidade: a de que não temos controle de absolutamente nada. Nesse momento tive que mudar todo meu planejamento. Comecei a fazer uma série de exercícios de spinning babies e sessões de acupuntura com moxabustão para tentar fazer com que ele virasse de cabeça para baixo, porém nada funcionou. Quando completamos 37 semanas tentamos fazer a manobra da VCE (Versão Cefálica Externa) com o Dr. Marcos Nakamura e com a minha obstetra, que foi um anjo naquele momento segurando a minha mão durante todo o procedimento (eu estava sentindo bastante dor e o pai estava bem nervoso no canto da sala incapaz de me tranquilizar). Porém, também não deu certo. Nesse momento desisti de tentar fazê-lo virar, pois estava ficando muito angustiada, e aceitei que teria então um parto pélvico. Apesar da minha obstetra fazer parto normal de bebês sentados, ela me deixou bem à vontade para caso eu não me sentisse confortável e resolvesse optar por uma cesárea, que foi o que escolhi. Combinamos só que iríamos esperar eu entrar em trabalho de parto para que fôssemos para a cirurgia. Dessa forma, ele viria no tempo dele.

No dia 17 de março de 2018, eu acordei me sentindo esquisita. Não sei definir o que sentia e contei apenas para meu marido. De noite decidimos ir pro churrasco de aniversário de uma amiga nossa que, assim que eu cheguei, falou: “Esse bebê vem hoje hein!”. Ri, sem acreditar, afinal falam isso toda hora no final da gravidez. Algumas horas depois, essa mesma amiga sentou ao meu lado e colocou sua mão na minha barriga. Inacreditavelmente, naquele exato momento minha bolsa rompeu. Foi uma confusão só. Meus amigos ficaram super nervosos e eu liguei para minha obstetra para avisar. Ela me orientou a ir ao hospital para fazer um exame de cardiotoco e verificar se não havia ocorrido, por conta de ele estar pélvico, o chamado prolapso de cordão umbilical (quando o cordão desce pela vagina antes do bebê). Se estivesse tudo bem eu poderia ir para casa esperar entrar em trabalho de parto, porém preferi internar logo e esperar entrar em trabalho de parto no hospital mesmo. Liguei, então, para a minha doula Tamara Fogel e para a fotógrafa Ana Kacurin porque queria muito fazer uma despedida de barriga, mesmo que improvisada com um lápis de olho. Pedimos pizza no hospital porque quase não tínhamos comido no churrasco e fizemos nossa despedida cantando Anunciação do Alceu Valença. Foi simplesmente inesquecível.

Como eu ainda estava sentindo somente cólicas bem leves, nos despedimos para que eu pudesse tentar descansar um pouco. Por volta de umas 2 da madrugada, eu comecei a sentir contrações, mas não consegui dormir nada entre elas. Por volta de umas 6 e meia da manhã, avisei então minha obstetra que eu já estava em trabalho de parto. Por volta de 7 e pouca, ela chegou ao hospital já me perguntando “E aí? Vamos lá conhecer esse meninão?”. Foi só nessa hora que minha ficha realmente caiu. Liguei, então, para toda minha equipe e inclusive para minha família (que eu ainda não havia avisado porque não queria ninguém acordado de madrugada esperando).

Meu maior medo na cesárea era a anestesia e, de fato, foi a pior parte. Fiquei muito nervosa porque tive várias sensações de choque na coluna na hora da aplicação. Nossa, que sensação horrível. Quando comecei a perder a sensação da perna, então, entrei em pânico. Só conseguia pensar que não queria estar vivendo aquilo… Que só queria que aquele momento acabasse logo. Nessa hora a Tamara teve a sensibilidade de me perguntar se eu queria ouvir a música que eu tinha escolhido pro nascimento. Eu disse que sim e ela colocou pra tocar no celular “Dengo” da Anavitória. Incrível como tudo ficou mais leve ali e eu comecei a sorrir. Graças a ela voltei a curtir meu parto. A próxima lembrança que eu tenho é já do Matheus vindo pro meu colo às 9:15 da manhã. Lembro de sentir o cheiro dele e de achar ele lindo. Ficamos juntinhos, pele a pele, durante essa primeira horinha de vida dele, onde ele mamou com a ajuda da pediatra e onde esperamos o cordão umbilical parar de pulsar para, então, o meu marido cortar. Só depois dessa nossa hora de ouro que ele foi levado para pesar e medir (sempre acompanhado pelo pai). Por escolha nossa (respeitada e apoiada pela pediatra), ele não teve colírio de nitrato aplicado nos seus olhos, não foi aspirado e não ficou na incubadora do berçário (foi direto para o nosso quarto). Enquanto isso a cirurgia já havia acabado, a equipe médica não estava mais no centro cirúrgico e se não fosse pela minha doula eu iria esperar sozinha ser levada para o quarto. Tudo bem que foi rápido, mas acho que teria ficado bem nervosa de ter ficado sozinha. A partir daí fomos para o quarto e foi só festa com a família conhecendo o novo membro.

Por fim, o meu parto não foi nada parecido com o que eu imaginava quando escolhi ter um parto humanizado (acho que na verdade nunca é né), mas ao mesmo tempo não poderia ter sido mais perfeito diante da realidade do que eu vivi. Tive todas as minhas escolhas respeitadas e meu filho veio de forma perfeita para os meus braços. Como falei no início, ter escolhido toda e equipe que assistiria ao meu parto foi tão essencial que não irei mudar nada agora na minha segunda gravidez. Com relação à amamentação não tive grandes problemas, pois tive o suporte da pediatra e da doula e tudo fluiu relativamente bem. Continuei amamentando até os dois anos do Matheus. Hoje ele está com 2 anos e 2 meses, mas esse relato fica para outro dia.

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