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Berço – o elefante branco no quarto

Ahhh, a maternidade! Um eterno exercício de cuspir pra cima e o cuspe cair na própria testa. É impressionante a quantidade de afirmações cheias de certeza que fazemos quando estamos grávidas e que não cumprimos nem de longe no momento em que o bebê chega.

Quando estávamos montando o quartinho do nosso filho, fiz questão de escolher um berço lindo. Daqueles com trocador acoplado e que viram cama depois de um tempo. Ao montar o berço, já era capaz de visualizar aquele bebê fofíssimo dormindo a noite inteira nele e eu plena na minha cama em outro quarto.

O bebê veio e com ele as noites mal dormidas. Fizemos alguns cursos de treinamento de sono já que, segundo eles, “os nenéns não sabem dormir, então nós devemos ensinar”. Fui seguindo à risca todas as orientações passadas e me sentindo culpada por não conseguir “ensinar” meu filho a fazer uma coisa teoricamente tão básica. Não cheguei no auge de deixar o bebê chorando sozinho no quarto para “se acostumar”, mas cheguei no meu limite quando caí com ele no colo no escuro no meio da madrugada. No auge da minha privação de sono, em incontáveis madrugadas acordando de hora em hora, eu errei onde a poltrona de amamentação ficava e caí com tudo quando fui sentar. Apesar de ele não ter se machucado, fiquei péssima depois. Com dores e cheia de culpa.

Mais ou menos nessa mesma época, lembrei do livro Bésame mucho: Como criar seu filho com amor, do Carlos Gonzales. Eu li esse livro logo que meu filho nasceu por indicação da minha pediatra maravilhosa Fernanda Mosqueira. Lembrei que ele falava sobre como os bebês se sentem mais seguros ao estarem próximos dos pais durante a noite e como eles tendem a dormir melhor assim. Lembrei também de uma informação do livro que me marcou muito e que a vale a pena ser colocada integralmente aqui:

“A mãe coelha deixa as suas crias escondidas na toca e amamenta-as apenas uma ou duas vezes por dia. Para passar tantas horas sem comer, os coelhos bebês necessitam de um leite muito concentrado: 13% de proteínas e 9% de gordura. A cria da cabra acompanha a mãe para toda a parte e mama de forma quase contínua, pelo que o seu leite contém apenas 2,9% de proteínas e cerca de 4,5% de gordura.

O leite materno contém cerca de 0,9% de proteínas e 4,2% de gordura. Quanto tempo pensa que um bebê consegue aguentar sem mamar?”

A partir daí resolvi me entregar de vez à criação com apego e foi a melhor coisa que eu fiz. O berço continua à espera de um dia virar cama e atualmente só serve como trocador. Nós decidimos fazer cama compartilhada até ele se mostrar pronto para dormir sozinho e aos poucos tudo começou a ficar mais leve. Começamos a dormir noites muitas vezes inteiras e a amamentação na madrugada, mesmo que em livre demanda, começou a se tornar mais espaçada.

Muitos perguntam se isso não afasta os pais por acabar com a suposta intimidade deles. Para nós, ocorreu o contrário pois começamos a brigar bem menos por não estarmos mais tão cansados. A intimidade também não acabou, apenas sofreu mudanças, que convenhamos são inevitáveis quando se tem filhos.

Acolher o seu filho quando ele precisa é a essência da criação com apego. Essa insegurança por estar longe inclusive não é eterna, afinal quantos filhos adolescentes ainda querem dormir na cama com seus pais? Por que motivo então não atender a essa necessidade e ao mesmo tempo aproveitar a sensação deliciosa de dormir e acordar juntinho de quem você mais ama nesse mundo?

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3 comentários

  1. Ser mãe é se dar, se doar, sem regras.
    Não existe fórmula, existe apenas o amor.
    O berço continua à espera dele par quando ele quiser.
    É dele.
    Nem que vire um sofá um dia.
    Um bj
    Sua mãe

  2. Artigo interessante, irei até retornar ao seu site com mais
    frequência, para mais artigos como estes. Obrigada

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